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24 Fevereiro, 2006

Quando a dor se apresenta no belo



Muito já li sobre se encontrar algo de positivo em meio ao caos. Resolvi então escrever sobre o contrário disso, quando se pode perceber a dor em meio a um momento de alegria.
Quando se fala em dor, de imediato vem a nossa mente a idéia de sofrimento, de que algo está mal, enfim, a palavra dor geralmente nos causa repulsa e queremos nos afastar dela.
Entretanto, por diversas vezes na vida, a dor está presente nos momentos de maior felicidade, nos momentos mais lindos, talvez para nos lembrar de que devemos a todo instante buscar o equilíbrio. Não me refiro a uma dor que represente tristeza, algo negativo, mas sim uma dor que na maioria das vezes é fisica, mas se torna insignificante diante da magnitude daquele instante.
Podemos identificar essa dor por exemplo, entre os profissionais do esporte. Um piloto de Fórmula 1 fica por quase duas horas dirigindo em alta velocidade, sob altas situações de risco, curvas perigosas, apertado num cokpit no qual seu corpo se espreme, sofrendo os efeitos das forças físicas naturais que comprimem-no. Da mesma forma, um jogador de futebol passa noventa minutos usando o máximo de sua capacidade física para exercer sua profissão, corre, cai, se machuca, sofre faltas, etc. Em ambos os casos, terminada a corrida ou a partida, ou mesmo durante a realização das mesmas, vêm a dor, a exaustão, o cansaço, as cãibras, por vezes feridas, fraturas, etc. No entanto, nada disso poderia ofuscar a alegria de uma vitória, de uma conquista. A dor se dissolve diante do levantar de um troféu.
Quando se faz amor, é momento de pura magia, de prazer máximo, mas quantas vezes a dor também está lá! Uma dor que se sente, mas que não se deseja evitar, que machuca, provoca esgotamento físico, comprime músculos, transforma e distorce feições, mas que é compensada pelo êxtase do gozo.
Momento ainda mais belo e sublime, é o do parto. Como sofre a mãe! Sofre com a ansiedade, a expectativa e principalmente com a dor física. Mas nada poderia superar a alegria de ouvir o choro do bebê, de tomar nos braços a tão esperada criança, fruto do seu amor.
São dores também, mas dores mui belas, necessárias, essenciais, e ao mesmo tempo insignificantes perante o belo que se revela naqueles momentos.

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